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CONCEITOS
ORTODÔNTICOS PRÉ E PÓS-CIRÚRGICOS
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WEBER JOSÉ
DA SILVA URSI
JURANDIR BARBOSA JOSÉ RUBENS CAVALCA PINTO MARCO ANTÔNIO MARTINS PAIVA |
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ORTODONTIA COM FINALIDADE CIRÚRGICA E RELAÇÃO CENTRAL (RC) |
O
diagnóstico e o tratamento ortodôntico pré-cirúrgico,
na posição mandibular de RC, é de extrema importância,
uma vez que um de seus objetivos é o de coordenar os contatos dentários
com a função mandibular. Nos casos ortodônticos convencionais,
a ortodontia possibilita a moivimentação de cada dente, ou de
um grupo de dentes, nos três planos do espaço, tornando o tratamento
ortodôntico análogo
a uma reabilitação bucal total. Nos casos ortodôntico-cirúrgicos,
se associa à esta movimentação dentária a possibilidade
do reposicionamento ósseo, o que também implica no respeito aos
princípios de uma oclusão estática e funcionalmente adequadas.
Apesar de haver atualmente, nítido interesse sobre a importância
da oclusão, há ainda, segundo Barbosa (1994), muita controvérsia
sobre o diagnóstico e o tratamento de problemas oclusais, especialmente
no que diz respeito à relação com as articulações
temporomandibulares. É comum que o tratamento oclusal inclua aspectos
ortodônticos, protéticos e cirúrgicos, sem qualquer consideração
para com a função fisiológica das articulações
mandibulares.
Há
um número considerável de razões para que os modelos de
estudo, montados em RC, sejam uma necessidade na ortodontia atual. Em primeiro
lugar, está a oportunidade de melhorar a precisão do diagnóstico
antes do tratamento. Como diagnosticamos somente o que vemos, se os modelos
de estudo não forem montados em RC, muitas vezes alguns problemas não
serão diagnosticados corretamente, sendo um exemplo clássico a
presença de mordida dupla (dual bite), quando existe uma diferença
grande entre RC e OC, principalmente em adultos e casos cirúrgicos, onde
os problemas esqueléticos estão presentes. De acordo com Barbosa
(1992), a montagem dos modelos em RC permite a detecção de situações
não observadas nos modelos tradicionais, ou mesmo, com a manipulação
da mandíbula durante o exame clínico.
A
maioria dos pacientes, apesar de seus significantes desarranjos dentofaciais,
consegue manter alguma função por meio de mecanismos adaptativos.
Estas adaptações ocorrem porque o sistema neuromuscular dos pacientes
guia o fechamento mandibular para onde melhor os dentes intercuspidam, assim
como os músculos da mastigação adaptam-se às prematuridades
proprioceptivas. Frequentemente estas adaptações marcaram a verdadeira
natureza ou a real extensão do problema. Cordray (1996), enfatizou que
apenas uma boa montagem no articulador dos modelos de estudo proveniente de
uma posição mandibular confortável, estável e reproduzível
revela consistentemente o verdadeiro relacionamento esquelético e dentário,
mostrando assim qual o tipo de mecânica que será a mais indicada.
Embora
certos sinais, como facetas de desgaste, dificuldade de manipulação
da mandíbula e músculos mastigatórios tensos, possam ser
indicativos da presença de mordida dupla, casos de assimetria e de cirurgia
ortognática não são tão claramente evidentes. A
mordida dupla pode estar presente em casos onde, em relação cêntrica,
o toque dos incisivos é de topo e para chegar na máxima intercuspidação
a mandíbula é desviada para frente, deslocando o côndilo
para fora da posição de RC e com cruzamento dentário anterior
e, às vezes, também posterior. Fica claro que este processo poderá
levar o ortodontista a um diagnóstico ortodôntico-cirúrgico
equivocado.
Com
relação às discrepâncias significantes entre OC e
RC, Roth, acredita que 15% dos pacientes assintomáticos apresentam esta
condição, enquanto que para Williamson (1980), este valor pode
chegar a 33%. Esta prevalência parece indicar que uma placa estabilizadora
seja um dispositivo extremamente valioso, de grande utilidade no diagnóstico,
planejamento e durante a fase terapêutica de pacientes que necessitem
de uma correção ortodôntico-cirúrgica.
Concluindo,
existem fortes evidências, derivadas de várias áreas da
odontologia, que indicam que a posição mandibular em RC é
a posição condilar mais estável, confortável e reproduzível,
a partir da qual uma reabilitação significante da dentadura pode
ser realizada. Desde a prótese fixa, restaurando vários quadrantes
ao mesmo tempo, à prótese removível fazendo dentaduras
totais, a cirurgia ortognática posicionando a mandíbula e o côndilo
e a ortodontia, no seu processo de diagnóstico, planejamento e tratamento,
o ponto em comum é a determinação e obtenção
de uma posição condilar cêntrica, estável e reproduzível.